Cultura
João Cláudio Arroyo fala sobre o Empreendimento Andorinhas

O professor João Claudio Arroyo, é o entrevistado do Portal Guarany Júnior, nesta edição. Ele fala sobre o projeto Andorinhas ou Empreendimento Andorinhas. Leia, na íntegra, o que ele diz.
1. Como funciona o projeto Andorinhas?
R – O Projeto ou Empreendimento Andorinhas funciona como uma Central de Comercialização. Nas pesquisas que realizamos, identificamos que o maior gargalo para a viabilidade dos empreendimentos populares, está na gestão da comercialização. Estes empreendimentos, o IBGE identifica, como micro e pequenos, que no entanto, são os que mais renda internalizam localmente e mais postos de trabalho geram, apesar da invisibilidade social, do abandono do crédito, da assistência técnica e das políticas públicas. Então, apoiá-los significa viabilizar um crescimento econômico que vem organicamente vinculado à melhoria da qualidade de vida de todos, beneficiando, de baixo para cima, todos os setores e níveis de renda. Assim, criamos o Projeto, convidamos empreendedores populares(as) reais que constituíram um empreendimento coletivo real, e apenas com recursos próprios vem desenvolvendo oportunidades de comercialização que antes não acessavam. Temos 40 associados mas 20 que participam efetivamente. Destes, já identificamos a melhoria de faturamento de 50 a 200%. Demonstrando que estamos no caminho certo.
2. Qual s importância para nossa economia solidária ?
R – Quanto mais pessoas conquistam vida digna a partir do seu próprio trabalho, melhor o ambiente social e econômico para todos. Menos riscos de cair na miséria, mais segurança, mais conforto em relações menos tóxicas em função dos interesses que surgem quando há grande desigualdade econômica entre as pessoas.
3. Qual o impacto na geração de emprego e renda ?
R – Pela invisibilidade estatística do setor, não há, do ponto de vista científico, estudos cabais sobre o papel econômico do setor e o impacto que pode causar. Mas sabemos que se trata de, pelo menos, 40% da PEA(população economicamente ativa). Que consome tudo o que ganha na economia local e nacional. Diferente dos setores em que ganham aqui mas gastam fora, gerando renda, negócios e trabalho fora do Brasil, um sério vazamento de renda. Ou seja, cada real que faturam a mais, na mesma hora aquece a economia. O capitalismo de mercado depende de consumo. Se diminuem a renda das famílias, reduzindo dalários, por exemplo, estão matando o capitalismo.
4. Quem pode participar?
R – O Empreendimento Andorinhas se organiza visando se fortalecer em 4 frentes, Produção sustentável, Comércio Justo, Finanças Solidárias e Consumo Consciente. Então quem produz, quem administra, quem investe, quem ensina, quem consome, pode vir e ser sócio, dono do empreendimento. Não esquecer que o nosso Empreendimento faz parte de uma nova Economia, a Economia Solidária que está se articulando no Brasil e no Mundo, de baixo, de dentro…
5. Qual sua expectativa para 2023?
R – Nossa expectativa é de crescimento com qualidade. Participei da Plenária Nacional em dezembro em Brasília, com mais de 300 delegados de todos os estados e a principal decisão foi o fortalecimento da Autogestão para que os empreendimentos não fiquem dependentes de governo. Além disso, foi aprovado a realização do I Encontro de Negócios da Economia Solidária em março de 2023. Se conseguirmos apresentar a Economia Solidária como uma alternativa viável de produção e consumo para a Sociedade, estaremos democratizando a economia, animando as oportunidades a partir da realidade e da cultura local sem exclusões. A Economia Solidária é uma grande inovação econômica.