Reponsabilidade ambiental no Círio 2022: Cooperativas e voluntários recolherão resíduos para reciclagem no Círio
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Os resíduos gerados durante as principais procissões do Círio 2022 têm destino certo: a reciclagem. A iniciativa faz parte do Projeto Eco Círio, que tem como objetivo estimular os frequentadores do Arraial e da Praça Santuário quanto ao descarte apropriado de resíduos sólidos e também promover a reciclagem, a fim de reduzir a geração de resíduos nesse período. A Diretoria da Festa estima que serão recolhidos entre 30 e 40 toneladas de resíduos recicláveis durante a Trasladação, a procissão principal de domingo, a Romaria da Juventude e o Círio das Crianças. Mais de 300 pessoas estarão envolvidas, entre membros das cooperativas de catadores de resíduos, funcionários da prefeitura e voluntários.
As diretrizes de atuação durante as procissões do Círio de Nazaré foram definidas em uma reunião realizada nesta quinta-feira, 06, na sede da Diretoria de Resíduos Sólidos (Dres), vinculada à Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan), com a participação de Karen Loureiro Lima, membro da Diretoria do Círio, e de representantes da Coleta Seletiva da Sesan e da Prefeitura de Belém, da Guamá Tratamento de Resíduos, de cooperativas de catadores e das professoras Maria Ludetana Araújo e Vanusa Pereira Santos, da Universidade Federal do Pará (UFPA).
A Guamá Tratamento de Resíduos, administradora do Aterro Sanitário de Marituba, é uma das parceiras na ação e estima que serão aproximadamente 70 voluntários, identificados com os coletes verdes do Eco Círio.
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O Aterro Sanitário de Marituba recebe, em média, cerca de 1.300 toneladas de resíduos ao dia, provenientes de toda a Região Metropolitana de Belém. “A coleta seletiva agrega valor à qualidade ambiental, porque quando a fazemos estamos reutilizando resíduos que iriam parar nos aterros sanitários. Quanto mais resíduos nós mandamos para reciclagem, por meio da coleta seletiva, maior será a vida útil dos aterros sanitários e menos espaços serão necessários para novos aterros”, diz o gerente de Unidade da Guamá, Wagner Luís Moreira Cardoso.
Realizado desde 2016, o Eco Círio é um projeto de conscientização que une responsabilidade social e educação ambiental, visando conscientizar as pessoas que visitam o Arraial de Nazaré e as festividades do Círio. Cerca de 400 mil pessoas passam pelo entorno da Basílica Santuário, entre trabalhadores ambulantes e visitantes, durante a festividade, segundo estudos feitos pelo Dieese.
“É uma megaoperação que envolve mais de 100 funcionários (da Prefeitura), fora os catadores das cooperativas. Então, firmar essa parceria com a Guamá foi importante porque a gente pôde proporcionar às cooperativas uma estrutura de equipamentos e materiais para que eles possam desenvolver um trabalho com maior sucesso”, revelou o coordenador de coleta seletiva da Prefeitura de Belém, Indalécio Pacheco.
O trabalho de coleta, triagem e separação dos resíduos é feito por cerca de 180 catadores associados a oito cooperativas de recicláveis atuantes na ação. À medida em que a procissão passar, as cooperativas farão o recolhimento do material reutilizável. Os resíduos são comercializados pelas próprias entidades, incrementando a renda dos associados.
Este será o caso de Maria do Socorro Ribeiro, que atua como catadora de resíduos há quase 20 anos. “Nós trabalhamos (na coleta seletiva) porque é a nossa forma de trabalho, é a nossa fonte de renda e sabemos que nós somos importantes para o meio ambiente. Eu não conheço outro trabalho que não seja catadora. Essa é minha origem”, revela Maria, cuja família tem na reciclagem a principal fonte de renda.
Karen Loureiro Lima, integrante da Diretoria do Círio, destacou a importância das parcerias. “No Círio, pela sua grandiosidade, a quantidade de resíduo é muito grande e sem o apoio das cooperativas a gente não conseguiria com tanta agilidade retirar esse resíduo da rua e fazer a sua reciclagem. Além da questão ambiental, a gente também tem a questão social, de colaborar com essas famílias, que têm isso como seu labor, e mostrarmos para a sociedade a importância de estar envolvido com a causa”.
Educação Ambiental
O trabalho educativo junto aos frequentadores do Arraial e da Praça Santuário será feito por um grupo de voluntários composto por estudantes da Universidade Federal do Pará (UFPA) e por membros de grupos de pesquisa sobre o meio ambiente da instituição – o Grupo de Pesquisa em Meio Ambiente e Sustentabilidade (GEMAS) e o Grupo de Estudos em Educação Ambiental na Amazônia (GEAMAZ), que atuam com a Guamá Tratamento de Resíduos em outros projetos de sustentabilidade. Os voluntários serão identificados por um colete verde com a marca do projeto e farão a abordagem dos visitantes.
“A gente entra com essa parte de conversar com as pessoas sobre o que elas podem separar em casa e o que elas podem descartar para o aterro sanitário e para o lixo comum”, explica a voluntária e estudante de Economia, Josiane Lisboa Oliveira
A professora Maria Ludetana Araújo, coordenadora do GEAMAZ, destacou o papel dos catadores de resíduos no processo de mudança de paradigma sobre o descarte de resíduos. “É um momento de juntar esforços e de valorizar essas pessoas que estão conosco o ano todo. A participação mais importante é de cada pessoa que está na procissão, de manter a cidade limpa. Se nós somarmos esforços, eles (os catadores) farão melhor, mais rapidamente e a cidade não ficará nem um minuto suja”.
Ao todo, são quatro pontos de coleta de resíduos recicláveis e lixeiras para materiais orgânicos gerados durante toda a Festividade de Nazaré. Eles ficam em locais estratégicos, perto das vendas de alimentos e com grande movimentação de pessoas. No Arraial, há quase 90 barracas vendendo comidas, artesanatos, artigos religiosos, brinquedos, além do parque de diversões ITA.
Fonte: Temple Comunicação
Por Ana Tereza Leal